terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Biografia de Maria Helena Vieira da Silva

Vieira da Silva [ca.1940]
Uma das mais importantes pintoras europeias 
da segunda metade do século XX

Nasceu em Lisboa em 13 de Junho de 1908;
morreu em Paris em 6 de Março de 1992.

Filha do embaixador Marcos Vieira da Silva, ficou órfã de pai aos três anos, tendo sido educada pela mãe em casa do avô materno, director do jornal O Século.

Tendo mostrado interesse, desde muito pequena, pela pintura e pela música começou a estudar pintura, a partir de 1919, com Emília Santos Braga e  Armando Lucena. Em 1924, frequenta as aulas de Anatomia Artística da Escola de Belas Artes de Lisboa.

Em 1928 vai viver para Paris, acompanhada pela Mãe, indo visitar a Itália. No regresso começa a frequentar as aulas de escultura de Bourdelle, na Academia La Grande Chaumière. Mas abandona definitivamente a escultura, depois de frequentar as aulas de Despiau.

Começa então a estudar pintura com Dufresne, Waroquier e Friez, participando numa exposição no Salon de Paris. Conhece o pintor húngaro Arpad Szenes, com quem casa em 1930, e com quem visitará a Hungria e a Transilvânia.

Em 1935 António Pedro organiza a primeira exposição da pintora em Portugal, e que a faz estar em Portugal por um breve período, até Outubro de 1936, após o qual voltará para Paris, onde participará activamente  na associação «Amis du Monde», criada por vários artistas parisienses devido ao desenvolvimento da extrema direita na Europa.

Regressará em 1939, devido à guerra, já que para o seu marido, judeu húngaro, a proximidade dos nazis o incomoda, naturalmente. Ficará em Portugal por pouco tempo, pois o governo de Salazar não lhe restitui a cidadania portuguesa, mesmo tendo casado pela igreja. Não deixa de participar num concurso de montras, realizado no âmbito da Exposição do Mundo Português, que também lhe encomendou um quadro, mas cuja encomenda será retirada.

O casal de pintores decide-se a ir para o Brasil, até porque as notícias sobre uma possível invasão de Portugal pelo exército alemão não são de molde a os sossegar.

Em Brasil serão recebidos de braços abertos, recebendo passaportes diplomáticos, que substituem os de apátridas emitidos pela Sociedade das Nações, tendo mesmo recebido uma proposta de naturalização do governo.

Residirão no Rio de Janeiro até 1947, pintando, expondo e ensinando, regressando Vieira da Silva primeiro que o marido, retido pelos seus compromissos académicos.

É a época em que Vieira da Silva começa a ser reconhecida. O estado francês compra-lhe La Partie d'échecs, um dos seus quadros mais famosos. Vende obras suas para vários museus, realiza tapeçarias e vitrais, trabalha em gravura, faz ilustrações para livros, cenários para peças de teatro. 

Expõe em todo o mundo e ganha o Grande Prémio da Bienal de São Paulo de 1962, e no ano seguinte o Grande Prémio Nacional das Artes, em Paris,

Em 1956, foi-lhe dada a naturalidade francesa.


Fontes:
José Augusto França
A Arte em Portugal no Século XX,
Lisboa, Bertrand, 1974

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Biografia de Caetano Moreira da Costa Lima

Pintor português

Nasceu em 29 de Julho de 1835;
morreu em 17 de Novembro de 1898.

Estudou na Academia de Belas-Artes, concluído o curso em 1854, tendo ganho o primeiro prémio do concurso final.

Dedicou-se à pintura histórica, sendo o quadro «Martim de Freitas verificando na catedral de Toledo
o falecimento do rei D. Sancho II», em exposição no Museu Nacional Soares dos Reis, um dos seus mais famosos.

Colaborou no Jornal do Porto, de 1875 a 1883, escrevendo folhetins sobre Belas-Artes e impressões de uma viagem à Europa.

Fonte:
Enciclopédia Luso-Brasileira de Cultura

domingo, 26 de fevereiro de 2017

Biografia de José Vital Branco Malhoa

n.      28 de abril de 1854.
f.       [ 26 de outubro de 1933 ].

Pintor de arte e professor, mais conhecido só pelo nome de José Malhoa. 

Nasceu nas Caldas da Rainha a 28 de abril de 1854. Aos doze anos, em 1867, entrou para a Escola de Belas Artes, e revelou logo tantas aptidões e tanta dedicação pelo estudo que terminou o curso da escola, ganhando em todos os anos o primeiro prémio. Tendo concluído o curso pensou em completar a sua educação artística no estrangeiro, e entrou em dois concursos para pensionista do Estado. Nada conseguiu, apesar do seu reconhecido merecimento, por ser o subsídio adjudicado a outro concorrente, que só o alcançara por importantes empenhos. As reclamações, feitas contra este facto, foram tão convincentes, que a Academia, para não descontentar ninguém, viu-se forçada a não mandar nenhum. Malhoa sentiu-se muito, como artista a quem preteriam o mérito, e pela impossibilidade de completar os seus estudos com os primeiros mestres da arte moderna, pois não tendo meios de fortuna que lhe permitissem ir viver independentemente no estrangeiro, só com aquele auxilio o conseguiria. Desesperado com este contratempo, desistiu da carreira que tão auspiciosa se lhe mostrava, e protestou nunca mais pintar. Fez-se então caixeiro duma loja de modas pertencente a um seu irmão. Aquele desespero, porém, foi-se amenizando; Malhoa não podia. assim perder o seu aturado e dedicado estudo, e seis meses depois já ele aproveitara algumas horas disponíveis para pintar um quadro, A seara invadida, que enviou à exposição de Madrid, onde foi muito bem recebido. 

Em 1881 deixou o comércio para se dedicar inteiramente a arte. O primeiro trabalho, que lhe ofereceram, foi o de pintar o tecto da sala de concerto no Conservatório Real de Lisboa. Algum tempo depois pintou o da sala do Supremo Tribunal de Justiça de Lisboa. Desde então tornaram se numerosos os trabalhos do distinto artista, em que se nota o tecto da sala de jantar do palácio do Sr. conde de Burnay e o dos aposentos do senhor infante D. Afonso. Na pintura histórica tem o grande quadro O Último interrogatório do marquês de Pombal, e o esboceto apresentado no concurso que a Câmara Municipal de Lisboa abriu em 1887 para um quadro representando A partida de Vasco da Gama para a Índia, esboceto que recebeu a primeira classificação entre os concorrentes, sendo nessa ocasião Malhoa agraciado com o grau de cavaleiro da Ordem de Cristo por decreto de 19 de abril de 1888. São deste apreciado artista os retratos do rei D. Carlos que estão nas salas do Tribunal do Comércio e do Tribunal de Contas; um retrato do príncipe real D. Luís Filipe, um da filha do Sr. Henrique Sauvinet, os de D. Luísa de Almedina e de Isaac Abecassis. Nos seus quadros também se contam numerosas paisagens, cenas rústicas, cuidadosa mente estudadas, costumes pitorescos de aldeia, como o Viático ao termo e a Missa das seis; alguns quadros de género, como o Primeiro cigarro, que pertence ao sr. infante D. Afonso, e um grupo de veteranos fazendo a Descrição da batalha: de Asseiceira, etc. Em todas as exposições de belas artes do Porto, etc., José Malhoa têm exposto quadros seus, obtendo sempre as mais altas classificações. Também tem concorrido a exposições no estrangeiro, como Liverpool, Madrid, Paris, Rio de Janeiro, S. Petersburgo e Berlim, onde alcançou a segunda medalha. José Malhoa tem as honras de académico de mérito da Academia de Belas Artes, e além de cavaleiro de Cristo, é cavaleiro da Ordem de Malta, e da de Isabel a Católica, de Espanha. Possui a medalha de prata da Cruz Vermelha. Em 17 de abril de 1906 o rei D. Carlos I visitou o atelier de José Malhoa, onde foi admirar os trabalhos destinados à sua exposição no Gabinete de Leitura no Rio de Janeiro, para que fora convidado. O rei demorou se analisando todas as telas, fazendo sobre cada quadro uma apreciação muito lisonjeira. 

Os quadros, que deviam figurar, eram os seguintes:
Retrato de rei D. Carlos I; retrato de sua majestade a rainha senhora D. Amélia; Cócegas (Salon-Paris, 1905); O sonho do infante (o infante D. Henrique no promontório de Sagres); A pintura (painel decorativo); A Ti'Anna; Cavaleiro de S. Tiago (Salon-Paris, 1904); Chegada do Zé Pereira à romaria; 7.° não furtar... as uvas ao seu cura; O vinho verde; O soalheiro; Cuidados de amor; As sardinhas; O viático na aldeia (exposição de Lisboa, 1905); A compra do voto (idem); O azeite novo (idem); Tempo de chuva, lar sem pão (idem); Pensando no caso (idem); Amanhã as arranjarei!; Flor de pessegueiro; Uma desgraça; Aldeia de Castanheira ao pôr do sol; Apanha das castanhas; À passagem do comboio (Paris-Salon, 1905); Torre de Belém; Noticias financeiras; Viúvo! (exposição de Lisboa, 1905); Estudando à borda do pinhal; Pai e falha; Provocando; Trigo ceifado; No paul dos patudos; Velhas habitações da aldeia; Rua Serpa Pinto em Figueiró dos Vinhos; Efeitos da ribalta; Montanhas (estudo para o quadro Baptismo de Cristo para a igreja de Figueiró dos Vinhos); A minha macieira; Últimos raios de sol num souto de castanheiros; Amores na aldeia; Esperando o peixe; A Rosita das Courelas (estudo para o quadro O barbeiro na aldeia); De volta da Senhora da Agonia; A ida para o trabalho; Nascer da lua; Estudando; Os ouriços; Efeitos do sol no musgo dum pinhal.; O passal do Sr. cura; Últimos raios de sol; Fonte Eirivia; Costume do Minho; Carvalhos do padre Diogo; Salão de musgo; Ribeira do Lagar; O Lagar; No altar do Madrão; Vale de Zebro; Nuvens; Proclamando a restauração de Portugal (estudo para o quadro com o mesmo titulo); Outono na Lavandaria; Ribeira na Lavandaria; Outono na vida e na Natureza; Entrada de mina; Cristo, estudo; As pupilas do Sr. reitor, estudo; Vasco da Gama; Esperando a vez; A caminho da horta; Pinhal, ao fundo a igreja de Figueiró dos Vinhos; Vendo subir o foguete (Estudo para o quadro A Procissão); (Estudo para o quadro O Barbeiro na Aldeia); Deitando foguetes (estudo para o quadro A Procissão); Apanhando o foguete (estudo para o quadro A Procissão); Os mações ao cair da tarde; No altar da serra; Fonte fria; O bêbedo, (estudo para o quadro A volta da romaria, (premiado no Salon de Paris em 1901); Aldeia dos Chãos; Ao pôr do sol, estudo; As cebolas; O portão do Dr. Manuel; Troncos de castanheiros na Ínsua; Uma rua na aldeia; Cair da tarde; Depois da chuva; Casal das giestas; Castanheiros doentes, estudo para o quadro Uma desgraça; O pinhal dos corvos, estudo, Caminho para o colmeal; Castanheiros; Mendigo (estudo para o quadro Volta da romaria, premiado no Salon de Paris, 1901); A estender a roupa ao sol, estudo; Ermida de Nossa Senhora dos Remédios, estudo; A minha musa; A cerca do convento; Céu de trovoada, estudo; Estudo para o quadro Cócegas; Ermida de Nossa Senhora da Madre de Deus; A eira. Decoração no tecto do gabinete real do novo edifício da Escola Médica de Lisboa, intitulado: A Escola Medica de Lisboa recebendo da realeza o decreto autorizando a construção do novo edifício. 


Informação retirada daqui

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Biografia de Abel Manta


Pintor português do séc. XX.

Nasceu em Gouveia, em 12 de Outubro de 1888; 
morreu em Lisboa em 9 de Agosto de 1982.

Tendo vindo residir para Lisboa em 1904, inscreveu-se em 1908 na Escola de Belas Artes de Lisboa, onde cursou Pintura. Concluiu o curso em 1915, tendo ganho o 3.º Prémio da Sociedade Nacional de Belas Artes (SNBA) no ano seguinte. Estabeleceu-se em Paris de 1919 a 1925, tendo aproveitado para viajar pela Europa, visitando sobretudo a Itália, onde se interessou pelos frescos renascentistas. Na capital francesa expôs, em 1921 e 1923, no salão do La Nationale, e frequentou o curso de gravura da Casa Schulemberger.

Tendo regressado a Portugal, realizou em Lisboa uma exposição individual na Galeria Bobone, tornando-se no ano seguinte professor de Artes Decorativas no Ensino Técnico, e professor da Escola Superior de Belas Artes de Lisboa (ESBAL) em 1934. Participou na decoração de alguns pavilhões de Portugal em exposições internacionais, realizadas na década de 30 - em 1929 o Pavilhão de Portugal na Exposição de Sevilha, em 1931 e 1937 o pavilhão nas Exposições de Paris.

Obteve o prémio Silva Porto do S.N.I. em 1942 e, em 1949, a primeira medalha da SNBA em Pintura.

Concorreu a várias exposições colectivas, como a 25.ª Bienal de Veneza (1950), a 3.ª Bienal de São Paulo (1955) e, em 1957, à 1.ª Exposição de Artes Plásticas da Fundação Gulbenkian, tendo ganho o Prémio de Pintura. Dois anos depois participou na Exposição Internacional de Bruxelas.

Pintou os retratos de Aquilino Ribeiro, Paiva Couceiro, Bento de Jesus Caraça, entre outros, quadros que se caracterizam pela densidade expressiva. Noutro género, as suas paisagens notáveis pela frescura da cor e pela impressão de realidade. O seu estilo é sóbrio e incisivo, utilizando um colorido vigoroso.

Em 1965 a SNBA realizou uma exposição retrospectiva da obra de Abel Manta. Em 1979 foi condecorado com uma comenda da Ordem de Sant'Iago da Espada, tendo morrido em Lisboa em 1982.

Tinha casado em 1927 com a pintora Clementina Carneiro de Moura, tendo havido um filho do matrimónio, o arquitecto e «cartoonista» João Abel Manta.

Fontes:
Enciclopédia Portuguesa e Brasileira - Verbo; Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira

sábado, 18 de fevereiro de 2017

Biografia de Cristóvão de Morais

Pintor activo em Portugal de 1551 a 1571.

Artista de provável origem castelhana, pouco se sabe da sua formação e da sua vida artística, tendo estudado possivelmente em Antuérpia. Pintou dois quadros do rei D. Sebastião. Um primeiro, assinado, e datado de 1565, existente no Mosteiro das Descalzas Reales, de Madrid, instituição fundado pela mãe do rei, D. Joana de Áustria, e o existente no Museu de Arte Antiga (por atribuição de José de Figueiredo), e executado em 1571 por ordem da avó do rei, a rainha D. Catarina.

Pintor maneirista, da segunda geração de «italianizantes», que durante os anos 60 e 70 do século 16, e sob influência dos ditames do Concílio de Trento, se separaram da influência  classicista do Renascimento, os seus quadros «são duas das pinturas mais notáveis e vincadamente maneiristas que subsistem da época», segundo Vítor Serrão.

Pintou também, por volta de 1580, o Retrato de D. Margarida da Silva e de seu Filho Martim Afonso de Melo, 2.º Conde de São Lourenço (por atribuição de Reinaldo dos Santos). Por meio de documentos publicados por Sousa Viterbo, sabe-se que em 1551 pintou uma liteira real (andas), em 1554 restaurou um leito da câmara da Rainha D. Catarina, e em 1567 pintou o retábulo da capela-mor do Mosteiro da Conceição de Beja, hoje desaparecido. Em 1554 foi escolhido para o cargo de examinador de pintores, tendo sido também Rei de Armas.

Fonte:
Vítor Serrão, A Pintura Maneirista em Portugal, Lisboa, Instituto de Cultura e Língua Portuguesa («Biblioteca Breve, 65»), 1982

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Biografia de Columbano Bordalo Pinheiro

Um dos maiores pintores portugueses.
Nasceu em Lisboa, em 21 de Novembro de 1857; 
morreu na mesma cidade em 6 de Novembro de 1929.

Filho do pintor, escultor e gravador Manuel Maria Bordalo Pinheiro, estudou na Academia de Belas-Artes de Lisboa, onde cursou desde os 14 anos de idade desenho e pintura histórica. Na Academia foi discípulo do escultor Simões de Almeida e do mestre Ângelo Lupi, tendo feito o curso em quatro anos em vez dos curriculares sete.

Em 1881 partiu para Paris, beneficiando de uma bolsa de estudo, custeada secretamente por D. Fernando de Saxe-Coburgo, viúvo de D. Maria II, amigo do pai. Foi para França, acompanhado da irmã mais velha, tendo aprendido com Manet, Degas, Deschamps entre outros. Em 1882 apresentou no «Salon de Paris» o quadro «Soirée chez Lui» que foi bem recebido pela crítica, e que está actualmente exposto no Museu de Arte Contemporânea de Lisboa com o título «Concerto de Amadores». 

Este quadro foi exposto em Lisboa, na Promotora, em 1883, após o seu regresso a Portugal, não tendo sido muito bem recebido pela crítica. Junta-se aos artistas do «Grupo do Leão», nome de uma cervejaria de Lisboa, que retratou num quadro que será um dos seus mais conhecidos. O grupo  era formado por jovens artistas empenhados numa reforma estética

Foi no domínio da pintura de decoração e nos retratos que se celebrizou, sendo dele as pinturas da sala de recepção do Palácio de Belém, os painéis dos «Passos Perdidos» da Assembleia da República e do tecto do Teatro Nacional. Os retratados, intelectuais sobretudo, incluem Oliveira Martins, Ramalho Ortigão, Eça de Queirós, Teófilo Braga, mas um sobressai: o de Antero de Quental, pintado em 1889.

Em 1901 tornou-se professor de pintura histórica da Academia de Belas-Artes de Lisboa, depois de ter sido preterido no concurso de 1897. Em 1911, foi nomeado pelo novo regime republicano para primeiro director do recém criado Museu de Arte Contemporânea onde se manteve até à reforma.

Era, segundo Diogo de Macedo: «misantropo, fechado em si, dado a análises exaustivas, a dissecações cruéis, teve apenas um grande amor - a pintura».


Fontes:
Enciclopédia Luso-Brasileira de Cultura;
José-Augusto França,
A Arte Portuguesa de Oitocentos,
2.ª ed., Lisboa, Instituto de Cultura e Língua Portuguesa («Biblioteca Breve»), 1983 (1.ª ed., 1979)

domingo, 12 de fevereiro de 2017

Biografia de João Baptista Ribeiro

n.      25 de abril de 1790.
f.       24 de julho de 1868.

Comendador da Ordem de Cristo, cavaleiro da de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa, conselheiro, director e lente jubilado da Academia Politécnica do Porto, pintor muito apreciado, etc.

Nasceu em S. João de Aregos, no distrito de Vila Real, cm 25 de abril de 1790, faleceu em 24 de julho de 1868. Revelando notável vocação para as belas artes, matriculou-se em 1802 na aula de desenho da academia do Porto, que frequentou durante sete anos, recebendo sucessivamente lições dos professores Vieira Portuense, Domingos Vieira, José Teixeira Barreto e Raimundo Joaquim da Costa, obtendo durante o curso três prémios de primeira classe.

Pelo falecimento de Vieira Portuense, sucedido em maio de 1804, foi nomeado director da aula de desenho o distinto pintor Domingos António de Sequeira, por carta régia de 8 de maio de 1806. Entrando na posse do seu cargo, escolheu entre os discípulos mais adiantados da mesma aula cinco, que lhe pareceu que revelavam mais talento, para os iniciar na arte da pintura. João Baptista Ribeiro foi um dos escolhidos, e na verdade, soube aproveitar-se das lições do mestre, e fez tais progressos, que no fim de dois anos, em 1808, pôde pintar para a festa de acção de graças que pela restauração do reino se celebrou na igreja da Graça, quatro painéis que lhe granjearam grande fama, e logo o colocaram na plana dos primeiros artistas daquele tempo. Em 1811 foi nomeado lente substituto da aula de desenho, e continuou a trabalhar, sendo sempre muito apreciado, e tanto que em 1824 foi escolhido para mestre de desenho e de pintura de miniatura, das infantas, filhas de D. João VI. Não tardou, porém, a regressar ao Porto e a cuidar da regência da sua aula, sendo em 1833 nomeado lente proprietário da mesma cadeira. Em 1836 publicou um folheto no Porto com o título: Exposição histórica da criação do Museu Portuense, com documentos oficiais para servir à historia das belas artes em Portugal, etc. Nesse mesmo ano foi nomeado director da Academia de Marinha e Comércio da Cidade do Porto, que depois tomou o nome de Academia Politécnica, continuando ele a dirigi-la, ainda depois de se jubilar como lente da mesma academia, até à data do seu falecimento.

No Periódico dos Pobres do Porto, n.º 79, de 1856, no artigo que em seguida foi transcrito no Braz Tizana n.º 82; e também no n.º 80 do Nacional de 9 de abril de 1859, vêem publicados muitos dados biográficos e notícia minuciosa dos seus trabalhos artísticos.

Informação retirada daqui
  


quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Biografia de Alberto de Sousa

Ilustrador e aguarelista
Nasceu em Lisboa, em 6 de Dezembro de 1880;
morreu em Lisboa em 1961.

Aluno da Escola de Belas Artes de Lisboa e das Escola Industriais do Príncipe Real, Rodrigues Sampaio e Machado de Castro, estudou modelo vivo no Grémio Artístico e na Sociedade Nacional de Belas Artes.

Em 1897 foi admitido no atelier de desenho industrial que Roque Gameiro dirigia na Companhia Nacional Editora. Deixou o atelier em 1903 e entrou para a Ilustração Portuguesa, a revista semanal do jornal diário de Lisboa O Século, a convite do seu director, Silva Graça. Pouco tempo ficou na revista, passando a ilustrar para publicações como os jornais Mundo, Novidades, A Capital, República, entre outras. Colaborou também para publicações estrangeiras como o L'Illustration e o Illustrated London News.

Aguarelista expôs pela primeira vez em 1901, no Grémio Artístico. Em 1911 concorreu a uma exposição realizada em Madrid e em 1913 teve a sua primeira exposição individual, na redacção de A Capital, passando no começo dos anos 20 a expor regularmente.

Em 1914 foi nomeado conservador artístico na Inspecção das Bibliotecas e Arquivos Nacionais.

Em 1931 participou na Exposição Colonial de Paris com um conjunto de aguarelas dos monumentos portugueses em Marrocos. Dedicou-se também à ilustração de livros, tendo organizado muitas das obras da Enciclopédia pela Imagem.

Fontes:
Enciclopédia Luso Brasileira de Cultura, Enciclopédia Verbo

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Biografia de Adriano Sousa Lopes

Pintor português expressionista
Nasceu em Vidigal, Leiria, em 20 de Fevereiro de 1879;
morreu em Lisboa em 21 de Abril de 1944.

Diplomado pela Academia de Belas-Artes de Lisboa, foi discípulo de Luciano Freire e de Veloso Salgado, tendo sido bolseiro em Paris e ali aluno de F. Cormon.

Em 1917, realizou uma notável exposição em Lisboa, de carácter impressionista, continuando a sua obra em termos de certa medida expressionistas, devido ao rigor do seu desenho e o atormentado da composição, e também simbolistas, além do trabalho realizado nas trincheiras da Grande Guerra, como oficial artista, e de decorações históricas, sobre temas evocativos dos descobrimentos marítimos, na Assembleia Nacional, já em 1937, e que não concluiu..

A sua faceta expressionista patenteia-se também nas suas águas-fortes, técnica em que atingiu um grau de mestria rara.

Entretanto foi nomeado director do Museu Nacional de Arte Contemporânea por recomendação de Columbano e em sua sucessão, em 1929.

Entre duas ou mais situações estéticas, coube-lhe um lugar estimável na pintura portuguesa dos anos 20-30


Fontes: 
José Augusto França
Museu Militar. Pintura e Escultura.
Lisboa, Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses, 1996
Enciclopédia Luso-Brasileira de Cultura, 12.º volume 
Lisboa, Verbo,1971
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