terça-feira, 28 de março de 2017

Paula Bravo

Determinada na sua actividade como pintora, Paula Bravo sempre mostrou aptidões no mundo das Belas Artes; mesmo quando jovem, o universo e a panóplia das cores já a fascinavam. Nascida em Lourenço Marques, Moçambique, em Abril de 1956, vem para Portugal em 1977, acabando por ficar em Santo André, cidade do município alentejano de Santiago do Cacém. Exímia na técnica do Bristol, consegue transmitir, com as suas próprias mãos, toda a beleza dos seus trabalhos, recriando neles um sentimento que se esconde algures na sua alma. A sua obra escontra-se espalhada por numerosas colecções particulares e oficiais. Foi recentemente convidada a expor os seus trabalhos no Brasil, onde a crítica especializada lhe teceu os maiores elogios.

Biografia retirada de O Leme

sábado, 25 de março de 2017

Augusto Bobone

Nasceu em 1852;
morreu em 1910.

Estudou na Academia de Belas Artes de Lisboa, tendo concluído o curso com louvor. Tendo ficado, por motivo de herança, com o antigo e muito conhecido «Atelier Fillon» de fotografia, foi declarado fotógrafo das Casas Reais de Portugal e Espanha

Ganhou vários Grandes Prémios, diplomas e medalhas de ouro e prata em exposições realizadas um pouco por todo o mundo. Ficou conhecido sobretudo pelas suas reproduções de obras de arte.

Casou com Elisa do Amaral, tendo nascido do matrimónio Octávio Bobone, nascido em 11 de Dezembro de 1894, responsável da fotografia de filmes como a «Canção de Lisboa».

Notícia retirada daqui

quarta-feira, 22 de março de 2017

Joaquim Rodrigues Braga

Nasceu em 1793;
morreu em 1853.

Conhecido por Braga Pintor, estudou em Roma à sua custa na Academia de São Lucas, por volta de 1822, ao mesmo tempo que António Manuel Fonseca, António Jacinto Xavier Cabral e Domingos Carvalho Pereira, também pintores.

Em 1824 trabalhou em Lisboa, trabalhando para D. João VI e para D. Miguel. Em 1835 voltou para o Porto onde dava lições particulares.

Foi escolhido em 1837 pelo pintor João Baptista Ribeiro para Professor de Pintura de História da recém criada Academia Portuense de Belas Artes, tendo sido seu director interino em 1845. Dedicou-se sobretudo ao professorado, já que lhe não são conhecidas muitas obras posteriores a 1837.

As suas obras incluem A Degolação de São João Baptista, que foi premiado em Roma, um S. João Menino que pintou para a Capela Real, um retrato de D. João VI, de meio corpo assim como uma miniatura do mesmo monarca, obras que citou num requerimento remetido ao futuro duque de Palmela e publicado por Sousa Viterbo, para além dos retratos de D. Miguel (1828) e de José da Silva Passos com sua mulher e filhos, e o Cerco de Lisboa por D. Afonso Henriques, que se encontram no Museu Nacional de Soares dos Reis, do Porto. No Palácio de Mafra existem quadros seus descrevendo caçadas de D. Miguel.

Notícia retirada daqui

domingo, 19 de março de 2017

Ernesto Ferreira Condeixa

Pintor  Nasceu em Lisboa,  em 20 de Fevereiro de 1858; e morreu no mesmo local em 2 de Agosto de 1933.

Discípulo de Miguel Ângelo Lupi, e de Cabanel em Paris, quando residiu nessa cidade enquanto bolseiro.

Foi membro do Conselho de Arte e Arqueologia, professor e director da Escola Nacional de Belas- Artes. A sua pintura foi consagrada a temas históricos, sendo os seus dois quadros mais conhecidos D. João II ante o cadáver do filho, e Beija-mão a Leonor Teles. Sendo também de assinalar, devido ao valor apreciável do movimento oblíquo da composição, o quadro A Conquista de Malaca.



Fonte:
Enciclopédia Luso-Brasileira de Cultura, vol. 5.º
José-Augusto França, Museu Militar: Pintura e Escultura, CNCDP, 1996

quinta-feira, 16 de março de 2017

Maria Keil


Pintora, ilustradora e ceramista portuguesa, nascida em Silves (Algarve). Frequentou Pintura na Escola Superior de Belas Artes de Lisboa, tendo sido aluna do pintor Veloso Salgado. Casou aos 33 anos com o arquitecto Francisco Keil do Amaral, neto de Alfredo Keil. O casal teve um filho também arquitecto. Maria Keil pintou naturezas mortas e retratos ainda muito jovem e em 1937 participou no Pavilhão de Portugal na Exposição Internacional de Paris. Em 1940 participou na Exposição do Mundo Português com uma pintura mural. Recebeu em 1941 o Prémio Revelação Amadeu de Sousa Cardoso pelo "Auto-retrato". No arranque do Metropolitano de Lisboa nas décadas de 50 e 60 do séc. XX Maria Keil começou a desenvolver intenso trabalho como criadora de painéis de azulejos para a decoração das estações. A ela se deve a recuperação, em espaços públicos, do azulejo que muitos consideravam arte menor. A sua criatividade e simpatia granjearam-lhe ser conhecida como "A menina dos azulejos". Trabalhou para dezanove estações e fez renascer a fábrica Viúva Lamego, então em crise. É também ilustradora de livros infantis. Participou em diversas exposições em Portugal e estrangeiro. Artista polivalente também deixou a sua marca em selos de correio no Ano Internacional da Mulher. Em 1989 o Museu do Azulejo dedicou-lhe uma retrospectiva. Com mais de oitenta anos ainda trabalha e, em 1997 decidiu expor fotografias, sob o tema "Roupa a secar no Bairro Alto". Pelas entrevistas e conversas Maria Keil revela-se para lá da artista, uma pessoa da maior simpatia, da mais absoluta simplicidade e de uma sinceridade sem rodeios.

Biografia retirada daqui

segunda-feira, 13 de março de 2017

Maria Emília Roque Gameiro Martins Barata

Pintora portuguesa, nascida na Amadora e discípula de Lily Possoz. Era filha do aguarelista Alfredo Roque Gameiro e de Assunção Roque Gameiro, e irmã de Raquel, Manuel, Helena e Rui Roque Gameiro, numa família de artistas. Assinou como "Mamia Roque Gameiro". Em 1923 realizou a primeira exposição individual, em Lisboa e desde logo se salientou obtendo boas críticas. Casou com o pintor Martins Barata. Deixou o seu traço por inúmeros livros infantis e publicações periódicas femininas e para crianças. Foi uma primorosa miniaturista. Também deixou quadros a óleo e guache. Participou na16ª Exposição da Sociedade de Belas Artes.

Informação retirada daqui

sexta-feira, 10 de março de 2017

Helena Roque Gameiro Leitão de Barros

Pintora e professora portuguesa, nasceu em Lisboa, numa família de artistas de renome. Aos catorze anos já pintava ao lado do pai Alfredo Roque Gameiro. Foi professora de Artes Decorativas na Escola António Arroio, em Lisboa. Paralelamente pintou e expôs na Sociedade Nacional de Belas Artes aguarelas que a notabilizaram, Em 1917 recebeu a primeira medalha por uma aguarela pela SNBL. Acompanhou o pai ao Brasil em 1920, e expôs com êxito. Casou com o conhecido realizador de cinema José Leitão de Barros (1896-1967). Podemos admirar as suas aguarelas em diversos museus portugueses.

Informação retirada daqui

quinta-feira, 2 de março de 2017

Biografia de Maria Helena Vieira da Silva

Pintora figurativa e abstracta portuguesa radicada em França e naturalizada francesa. Nasceu na noite de Stº António, filha de Marcos e Maria da Graça Vieira da Silva, pai embaixador, foi educada pela mãe após a morte do pai, quando contava apenas três anos. Estudou pintura em Portugal em 1919 e frequentou Belas Artes em Paris, a partir de 1928, data em que passou a viver com a mãe na Cidade Luz. Casou com o pintor húngaro Arpad Szenes, numa forte relação e veneração, em 1930 paixão que só foi interrompia com a morte dele em 1985. Maria Helena expôs pela primeira vez no Salon de Paris, em 1933 e em 1935 expôs pela primeira vez em Portugal. Viveu no Brasil de 1940 a1947, dado o marido ser judeu e para fugir as perseguições nazis. O Brasil recebeu-os de braços abertos e Paris também, quando regressou. O Estado francês comprou-lhe diversos quadros, nomeadamente "La Bibliothèque" e a famosíssima "La Partie d'Écheques". Vieira da Silva é provavelmente a mais famosas e cotada pintora portuguesa já desaparecida. Deixou também tapeçarias, vitrais para a cidade de Reims, gravuras, ilustrações de livros infantis e cenários de teatro. Maria Helena Vieira da Silva dedicou a sua vida à pintura e só depois da democracia em Portugal, em 1974 foi mais divulgada a sua obra, esquecida e pouco reconhecida durante o regime do Estado Novo. No entanto, o professor de arte José Augusto França escreveu, em 1958 uma monografia essencial sobre a pintora. Em 1960 França concedeu-lhe o grau de cavaleiro da Ordem das Artes e das Letras. O seu cartaz do 25 de Abril é conhecido de toda a gente, com o título "A Poesia está na Rua". Em 1977 recebeu a mais alta condecoração, não militar, portuguesa - a grã-cruz da Ordem de Santiago da Espada. Lisboa tem, no Jardim das Amoreiras, um museu que lhe é dedicado, com o seu nome. Entre outros prémios a pintora recebeu, em 1961 o Prémio da Bienal de São Paulo. A estação de Metro da Cidade Universitária tem azulejos da sua autoria e a estação do Rato (Lisboa) ostenta um painel de azulejos também seu. Do lado oposto, no mesmo átrio, outro painel de seu marido, como que eternizando aquele amor de cinquenta e seis anos de união perfeita.

Biografia retirada daqui

quarta-feira, 1 de março de 2017

Biografia de Francisco Vieira (Vieira Portuense)

n.      13 de maio de 1765.
f.       2 de maio de 1805.

Pintor histórico e de paisagem, lente de desenho na Academia do Porto. Era cognominado Vieira Portuense, por ter nascido nessa cidade, e para se diferençar doutro seu afamado contemporâneo, conhecido pelo nome de Vieira Lusitano, por ter nascido em Lisboa. 

Nasceu portanto, no Porto a 13 de maio de 1765, faleceu na ilha da Madeira a 2 de maio de 1805. Era filho de Domingos Francisco Vieira e de Maria Joaquina.

Seu pai reunia à profissão da arte da pintura, em que dizem não era dos de menos conta, segundo a frase tradicional. Começando desde criança a dar mostras da grande vocação para o desenho e para a pintura, o pai logo que o viu instruído nas primeiras letras e tendo-o provavelmente iniciado nos rudimentos da arte, entregou-o à direcção de João Grama, celebre pintor, que se supõe de origem alemã, mas nascido em Portugal. Este artista foi quem primeiro guiou o jovem Vieira no estudo da pintura. Mais tarde, achando-se no Porto com outro notável pintor que primava no género das paisagens, João Pilenan ou Pillement, de nação francesa, recebeu também algumas lições o moço Vieira. Este, porém, não se contentando com a instrução já adquirida e desejando aprofundá-la, resolveu em vez da frequentar a aula publica de desenho, que por essa tempo existia no Porto, vir para Lisboa em 1784 matricular-se na outra aula da mesma espécie, que pouco antes fora estabelecida pala rainha D. Maria I, e da que era director e professor Joaquim Manuel da Rocha. Esta escola de desenho de figura e história funcionava com outra de arquitectura civil, num pavimento baixo do convento dos Caetanos, onde está há muitos anos instalado o Conservatório. Provavelmente a ideia do moço estudante era obter lugar entre os alunos que por concessão do governo e como pensionistas do Estado deviam partir para Roma, mas ou porque lhe faltassem padrinhos ou porque já estivesse preenchida o numero dos escolhidos, Vieira não realizou como desejava aquele seu projecto. O que não pôde alcançar em Lisboa, conseguiu-o porém, no Porto, e a junta da direcção da Companhia Geral das Vinhas do Alto Douro, tomando-o sob a sua protecção, mandou-lhe abonar, do seu cofre, a pensão anual de 300$000 reis para lhe ser paga durante o tempo que precisasse demorar-se em Roma até à conclusão dos seus estudos.

Em 1789 partiu para a Itália, e ao chegar àquela cidade, tratou de escolher mestre capaz de o guiar na carreira a que se destinava, e preferindo Domingos Corvi, desenhador de grande correcção mas de feio colorido, de cujas lições tirou grande proveito, e logo em 1791 obteve na academia romana um primeiro prémio em roupas. Para aumentar mais os seus conhecimentos artísticos, percorreu as principais cidades da Itália, visitando os seus mais notáveis edifícios e galerias, copiando para exercício as obras que mais entusiasmo lhe causavam, e deste modo formou uma grande quantidade de livros que trouxe consigo quando recolheu a Portugal, e que eram evidentes provas do seu estudo e da sua aplicação. Tinha ele adoptado de preferência, por mais conforme ao seu gosto, a maneira e estilo mimoso e delicado de Albano e de Guido Reni, mas querendo estudar também o colorido de Corregio, dirigiu-se a Parma para copiar o magnifico quadro de S. Jerónimo que existe na galeria publica da referida cidade, e que é considerado uma das melhores produções do exímio chefe da escola lombarda. A cópia feita por Vieira é qualificada de excelente, mereceu os melhores elogios de Taborda e do conde de Raczynski. Depois de ter estado em casa do visconde de Balsemão, passou para a galeria dos duques de Palmela, de que faz parte há muitos anos. Durante a sua permanência em Parma, recebeu dos membros da academia grandes provas de consideração pelo seu talento. Foi ali recebido pelas famílias da alta aristocracia, chegando a dar lições de desenho à filha do grão-duque, para quem naturalmente o jovem pintor português não foi indiferente, e tanto mais que chegou a retratá-la, e tão perfeito ficou o retrato, que lhe deu fama entre a primeira sociedade de Parma. Fez mais retratos, pelos quais auferiu bons proventos. Voltando a Roma em 1791, demorou-se ali três anos ocupado sempre no estudo dos grandes mestres. 

Em 1797 saiu de Roma, e na companhia de Bartolomeu António Calixto, pensionista na Casa Pia, que também ali fora aperfeiçoar-se, percorreram juntos parte da Alemanha, até que Calixto veio para Lisboa, e Vieira ficou em Dresden, fazendo estudos na notável galeria de pintura daquela cidade, da qual copiou os objectos que mais lhe prenderam a atenção. Passou a Hamburgo e depois a Londres, onde se demorou até ao ano de 1801. Travou conhecimento nesta grande cidade com o insigne gravador Bartholozzi, tomando dele algumas lições de gravura; essas relações tornaram-se de íntima amizade, casando mais tarde com uma viúva italiana, moça e rica, que dizem pertencer à família de Bartholozzi. Fez o retrato deste artista, e começou então a gravar a água-forte um grande trabalho, que por embaraços posteriores não chegou a concluir. Em Londres pintou o Viriato, quadro de notável execução, que ofereceu ao príncipe regente D. João, mais tarde rei D. João VI, e foi colocado na galeria do palácio da Ajuda. Desse quadro abriu Bartholozzi uma bela estampa, assim como outras de diversas composições do artista português. Para obsequiar o ministro de Portugal naquela corte, D. João de Almeida MeIo e Castro, depois conde das Galveias, a quem já conhecera em Roma, e lhe devera muitos favores, compôs também um primoroso quadro Nossa Senhora da Piedade ou do Descimento da Cruz, o qual era destinado à capela da embaixada portuguesa em Londres, mas depois foi colocado no oratório do paço das Necessidades. Ou nos últimos tempos da sua estada em Londres ou logo que regressou à pátria, foi Francisco Vieira, por proposta da Companhia das Vinhas do Alto Douro, provido no lugar de lente na aula de desenho no Porto, vago por ter sido dispensado desse exercício o professor António Fernandes Jácome. tendo a nomeação a data de 20 de setembro de 1800, mas parece, que se chegou a tomar posse da cadeira, pouco tempo se demorou na sua regência, porque vem para Lisboa no princípio de 1801.

Nessa época D. Rodrigo de Sonsa Coutinho, depois conde de Linhares, sendo transferido da pasta da marinha para a da fazenda e nomeado inspector da regia oficina tipográfica, ampliou este estabelecimento, que recebeu então o nome de Imprensa Regia, e por decreto de 7 de dezembro do mesmo ano e pensou em fazer nela uma edição magnifica e luxuosa dos Lusíadas, ilustrada com estampas representativas dos passes mais notáveis do poema. Esse pensamento não chegou a realizar-se por circunstâncias imprevistas; entretanto, Francisco Vieira foi encarregado de fazer as composições, motivo porque veio a Lisboa onde se encontrou com Bartholozzi, que devia de executar as gravuras. Francisco Vieira chegou a fazer onze quadros ou esboços a óleo, de passes dos Lusíadas, que não chegaram a ser gravados, mas que foram adquiridos pelo duque de Palmela, passando a fazer parte da soberba galeria de pintura desta nobre casa. Estando o insigne artista em Lisboa em 1802, na ocasião em que tudo se preparava para solenizar com grandes festas a paz geral de Amiens, que fora assinada em 27 de março daquele ano, o senado da câmara lhe encomendou um quadro alegórico para a sumptuosa festividade que devia realizar-se na igreja de S. Domingos. Nesse quadro que Vieira executou com grande rapidez e que foi muito aplaudido, estava no centro a monarquia lusitana representada na figura duma gentil matrona com atributos adequados, tendo pendente sobre o peito o retrato do príncipe regente e servindo-lhe de cortejo outras figuras que representavam as virtudes e as artes igualmente caracterizados. Os ministros D. João de Almeida e visconde de Anadia, apreciando igualmente o mérito de Vieira, falaram a seu respeite ao príncipe regente, que a 28 de junho de 1802 assinou um decreto nomeando o artista primeiro pintor da real câmara com a pensão anual de 2.000$000 reis, permitindo-se lhe a acumulação deste com o emprego de lente da aula do Porto, e sendo-lhe cometida a obrigação de dirigir e executar juntamente com o seu colega Domingos António de Sequeira, a quem ficava em tudo e para tudo equiparado, as obras de pintura que se haviam de fazer no paço da Ajuda. Para se mostrar digno do alto conceito em que era tido e das mercês que lhe conferiam, compôs e em breve concluiu para a galeria real dois formosos quadros que por si sós bastariam para dar ao autor a reputação de abalizado pintor, e que representam, um o Desembarque de Vasco da Gama na índia, e outro D. Inês de Castro ajoelhada com os filhos perante o rei D. Afonso. Estes quadros foram depois levados com outras pinturas para e Rio de Janeiro, e dizem que ultimamente existiam numa sala do palácio de S. Cristóvão no chamado torreão de prata. Pelo mesmo tempo pintou ainda para o conde de Anadia um magnífico quadro, D. Filipa de Vilhena, que juntamente com outras produções de Vieira se admiraram naquela ilustre casa.

Demorando-se em Lisboa para atender a estes e outros trabalhos, não podia exercer o magistério no Porto, e por isso a regência da cadeira foi dada a seu pai Domingos Vieira, que desempenhou essas funções desde 1 de novembro de 1802 até 30 de junho de 1803, em que se reformaram os estudos na cidade do Porto, ceando-se a Academia de Marinha e Comercio e incorporando-se nela a antiga aula de desenho, que passou a denominar-se Academia de Desenho e Pintura. A aula foi solenemente inaugurada por Vieira, em cujo acto pronunciou o seguinte discurso, que em 1803 se publicou em Lisboa: Discurso feito na abertura da Academia de desenho e pintura na cidade do Porto, por Francisco Vieira Júnior, lente da mesma academia. No resto desse ano e por todo o seguinte de 1804, foi, segundo parece, efectivo na regência da cadeira, dividindo porém o tempo entre os cuidados do ensino e a execução das obras de arte, a que por obrigação do serviço ou por encomendas particulares tinha de satisfazer, e ocupava-se na composição dum quadro em que representava Duarte Pacheco, Achilles Lusitano, defendendo contra o Comorim o Passo de Cambaldo destinado a ornar a casa das Descobertas no palácio de Mafra, quando foi acometido da grave enfermidade, que em breve o prostrou no tumulo. Esgotados todos os recursos da ciência para debelar aquele mal, os médicos lhe aconselharam o clima da Madeira, e obtendo para isso a necessária licença por aviso do 1º de abril de 1805, empreendeu a viagem, mas em lugar das melhoras que esperava, piorou repentinamente, vindo a falecer pouco tempo depois.

Além dos quadros já citados, mencionaremos os seguintes: S. Sebastião, que se conservava na galeria do marquês de Borba; uma Saloia, de capa e lenço na cabeça, que pertencia à casa dos condes de Anadia; o esboceto a óleo do quadro Viriato que pertenceu a Silva Oeirense, e O Amor, que estava na casa dos condes de Anadia, e que Bartholozzi reproduziu pela gravura, e mais duas paisagens que pertenceram a António Ribeiro Neves e Joaquim Pedro Celestino Soares. Na capela da ordem terceira de S. Francisco do Porto há quatro quadros representando: Santa Margarida; Nossa Senhora da Conceição, Santa Isabel e S. Luís, rei de França. No museu do Porto também de Vieira um Cristo crucificado, um S. João, a Adoração do Santíssimo, e duas belas paisagens, das quais uma representa Uma mulher com um menino, que parece defender do ataque dalguns malfeitores. 

Francisco Vieira falava com facilidade as principais línguas da Europa, e conhecia perfeitamente a historia das belas artes. Em 1906 comemorou-se no Porto o centenário de Francisco Vieira, fazendo-se uma exposição das suas obras no salão nobre do teatro de S. João, a qual se inaugurou no dia 17 de junho. Foi a Sociedade das Belas Artes que tomou a iniciativa desta comemoração, e conseguiu reunir para o seu intento uma boa porção de quadros, desenhos, esboços e gravuras de Vieira Portuense. Nesta exposição figuraram também algumas gravuras notáveis de Bartholozzi de desenhos de Vieira.

Biografia retirada daqui






Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...